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quarta-feira, 1 de maio de 2013

PRIMEIRO DE MAIO: DIA DO/A TRABALHADOR/A.

Por: Sandro Roberto Santa Bábara
 
 

 
 Neste PRIMEIRO DE MAIO muitas palavras deveriam ser proferidas ao lado de muitas atitudes que deveriam ser tomadas! Com a licença e o respeito aos/as militantes do Partido dos Trabalhadores deveríamos está completando dez anos de muitas realizações que seriam reconhecidas como avanços na direção de uma sociedade socialmente justa e com orientações de superação do capitalismo em nosso país.

A despeito de reconhecidas ações na área educacional como a expansão dos IFES, das unidades de universidades federais instaladas na Bahia como a UFRB e a UNIVASF (junto com Pernambuco) e as duas outras que ainda serão instaladas cabe salientar que o processo de precarização do trabalho também e, infelizmente, caminhou e caminha junto com essas instalações.

O processo de concretização de políticas afirmativas como as conhecidas cotas representa não só uma vitória do ponto de vista simbólico, mas do mesmo modo configura-se como uma vitória sem igual e sem precedentes na história de lutas do povo negro e dos povos indígenas (arbitrariamente assim chamado). TODAVIA, no que diz respeito e, em particular, aos povos ARBITRARIAMENTE chamados indígenas as sucessivas tentativas das suas lideranças e representantes de sensibilizar o Governo Federal quanto às agressões sofridas por estes povos têm sido ineficazes frente ao imobilismo e insensibilidade com as quais estão sendo tratados.

A defesa da governabilidade, transformada em um conceito quase intransponível e inquestionável, conferiu à base aliada capitaneada pelo PT no âmbito do governo federal e nos âmbitos estaduais e municipais um “céu de brigadeiro”. Onde esteve hegemônico a proliferação do discurso de realizar “o que era possível” caiu como uma luva, pois em face dos aliados partidários que nem sequer possuíam ou possuem agenda programática alinhada à trajetória de lutas que formou o PT, a CUT e tantos sindicatos e associações criadas ainda no bojo do fim da ditadura militar a presença da contradição ideológica e PROGRAMÁTICA teve o seu lugar garantido.

Certa vez escutamos em cursos de formação de política, nos bancos das universidades, nos pátios e bares da vida que o processo que mobiliza as massas é cunhado dentro desta contradição! A contradição como motor da história! Desde que no momento do “assalto aos céus” estivéssemos preparados/as para tomar o assento revolucionário em um governo dos/as trabalhadores/as, dos/as “produtores/as livres”. Deveríamos construir o tal do “acúmulo histórico”!

E construímos? O que estamos construindo? Para quem? Quais as ações que representam efetivamente avanços na luta pela superação do estado capitalista em nosso país? Óbvio que devemos compreender que o “processo” é lento e gradual, mas NÃO deveria ser DOLOROSO para as MASSAS que VIVEM do TRABALHO!

Senão vejamos: sucessivas e renhidas agressões às conquistas históricas dos/as trabalhadores/as, alinhamento à uma política econômica de contenção que atinge ferozmente as frágeis tentativas de milhares de famílias brasileiras de APENAS sobreviverem a cada ideia de liberação de CRÉDITO (portanto, DÍVIDA) não representam avanços para a edificação de um outro mundo possível.

O mantra, “não se pode viver no melhor dos mundos”, proferido há vinte e dois anos atrás no Consenso de Washington fez escola mundo a fora e, em especial na América Latina. Mais do que nunca e “nunca antes na história deste país” tentaram nos fazer crer na política como a “arte do possível”.

Pois bem, se é possível VIVER no pior dos mundos (como se RECUSAR a dialogar com homens e mulheres que VIVEM do trabalho e lhes impor a regra do “eu mando e vocês obedecem) como nós estamos vivendo então provado está, ao menos DIALOGICAMENTE, que é possível viver SIM no melhor dos mundos!

Os antigos gregos acreditavam no conceito de UTOPIA como sendo o LUGAR não encontrado! E já que existe um lugar para ser encontrado, trilhemos os caminhos que nos levem a este lugar!
 
 
 
Sandro Roberto Santa Bárbara - Cientista político e Professor da UNEB

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