Os atos e palavras de ordem usadas por um grupo de torcedores no jogo de estreia da seleção brasileira em São Paulo contra a presidente da República é uma das coisas mais abjetas do cenário político brasileiro dos últimos tempos e, por isso mesmo, ensejam duas perguntas e uma breve consideração. É válido fazer oposição política a um governante usando de expressões chulas e grosseiras! Ser opositor político justifica a falta de educação, de civilidade e de... respeito ao outro! Não acredito nesse modelo de oposição. Felizmente ele será repudiado pelas pessoas educadas e de bem desse país, pois o que ele ensina às novas gerações é que a podridão, a baixaria e a ausência de ética são ingredientes necessários às mudanças políticas. E isso não ajuda a educar ninguém efetivamente comprometido e preocupado com o futuro de nosso país.
Por: Dr. Valdélio Silva - Antropólogo e Diretor do Departamento de Educação da UNEB - Texto copiado do Facebook
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sábado, 14 de junho de 2014
sexta-feira, 13 de junho de 2014
Futebol como uma metáfora da paixão brasileira?
Como
definir esse sentimento brasileiro que veste a fantasia do verde e amarelo da bandeira
nacional, pinta o rosto, o corpo, grita e chora de emoção ao cantar o hino
nacional brasileiro? Que sentimento é esse que mistura as contradições de cores
e etnias, religião e política, pobreza e riqueza no estádio de futebol ou na
tela da televisão como se os jogadores da seleção fossem semideuses, que trazem
a solução para todos os problemas de um país, pelo simples ato de colocar uma
bola dentro de uma rede, fazendo explodir o grito guardado pelo silêncio da
vida, como se esse momento se transformasse na única razão de sua existência.
O “Dia
dos Namorados” do Brasil esse ano, passou por uma espécie de ritual de contradição
e isso ficou demonstrado pela dicotomia entre os sentimentos, individual e
coletivo que estavam presentes nos corações de alguns brasileiros. Houve muitos
pedidos de namoro e até casamento que foram realizados antes de iniciar o jogo
da seleção, como se a promessa de ficar juntos “na alegria e na tristeza” pudesse
de alguma forma garantir a vitória no jogo coletivo. Parece que as pessoas para
suportar o jogo individual, precisam estar juntas para garantir um testemunho
de sua existência, dos seus sentimentos ou para poder suportar as suas dores e
alegrias nesse mundo carente de relações pessoais de solidariedade e de amor.
DAMATTA
(1982) diz que existimos literalmente em campos de futebol, que nossas áreas são
demarcadas por linhas, onde temos espaços sagrados e profanos, pessoas que nos são
adversas e gente nossa, irmãos que desejam o nosso sucesso e estão conosco porque
vestem nossa mesma camisa e companheiros que jogam contra nós. É evidente que
essa comparação metafórica, condiz com a realidade para entender o que futebol representa
realmente para os brasileiros e as brasileiras.
Particularmente,
não me interesso pelo futebol apesar de perceber como ele afeta diretamente
muitas pessoas. Normalmente quando falta assunto nas conversas, o tema que se
apresenta para romper a barreira do silêncio, é o jogo dos times de futebol e
então logo ouvimos “especialistas” analisar o que cada jogador faz ou deixa de
fazer para que um time sempre esteja ganhando. Aqueles que não são amantes do futebol
sentem-se deslocados, como se falasse outro idioma, como é o meu caso, por não
ter argumentos para essa dialética do futebol.
DAMATA
(1982) explica porque o espectador do jogo no Brasil é chamado de torcedor, ou
seja, alguém que torce. A expressão, derivada do verbo torcer, indica a ideia de
revirar-se, retorcer-se, volver-se sobre si mesmo, como quem estivesse sendo submetido
a um torneio físico ou tortura. Então, chamar os espectadores de um jogo de futebol
de torcedores é algo que só pode ser completamente entendido quando se levam em
conta todas essas importantes conotações sociais do esporte e do futebol no Brasil.
Assim,
é possível compreender como os sentimentos individuais e coletivos se misturam
quando o assunto é futebol, principalmente, quando se trata de uma copa do
mundo realizada no Brasil, num momento em que a política faz o jogo do
oportunismo partidário para ganhar as próximas eleições em outubro. Na política
ou no futebol os resultados são imprevisíveis. Ambas as esferas são domínios
que no Brasil e não se pode prever com segurança qual a melhor opção,
considerando que tanto o futebol quanto a política não tem uma relação direta
entre os meios e os fins para se chegar a um resultado que possa reduzir as desigualdades
sociais, políticas, econômicas e culturais da sociedade brasileira.
Dessa
forma, o futebol no Brasil além de ser um esporte, traz no seu contexto uma complexificação
dos sentimentos individuais e coletivos, misturando-os. Segundo DAMATTA (1982)
também é uma máquina de socialização de pessoas, um sistema altamente complexo de
comunicação de valores essenciais e um domínio onde se têm a garantia da continuidade
e da permanência cultural e ideológica enquanto grupo inclusivo. Pois, se as formas
de governo e a Constituição mudam constantemente, se as universidades, o padrão
monetário e os partidos políticos fazem os brasileiros terem muitas dúvidas sobre
sua sociedade enquanto nação moderna, aspirante a um lugar ao sol dentro de uma
ordem mundial, futebol, carnaval e as relações pessoais dizem que a sociedade
brasileira é grande, criativa e generosa.
Finalmente,
tanto no futebol como na "vida real", os homens e as mulheres estão
relacionados em times e (famílias), e isso vale para o modo de ser da política
brasileira, que em objetivo final, só pretendem vencer e atuam com certo “estilo”
para que isso se concretize. Contudo, não podem controlar as ações da equipe
adversária, nem sua habilidade, ou as coincidências, os erros e os acertos que decorrem
do próprio jogo seja ele num estádio, nas manifestações sociais nas ruas ou no
parlamento. Mesmo quando uma equipe apela para meios “mágicos” de vitória - o que
é muito comum no futebol brasileiro e na política, em todos os escalões, a vitória
pode ser situada no plano do favorável ou da imprevisibilidade, mas nunca da certeza.
E sem dúvida, é essa complexidade que permite tomar o jogo de futebol como uma metáfora
da própria vida.
Fátima
Barreto – Graduanda do curso de Ciências Sociais da UNEB – 13/06/2014
quinta-feira, 12 de junho de 2014
terça-feira, 10 de junho de 2014
O que é tornar-se um cientista social?
Se buscarmos a resposta para
essa pergunta no “oráculo Google” vamos encontrar uma quantidade imensa de
definições e opiniões do chamado “senso comum”. Mas, se buscamos internalizar o
“fazer” de um cientista social, vamos perceber logo, que é algo complexo para
definições simples e eu acredito que tudo que o cientista social pensa e faz na
sua prática, é não ser simplista ou um especialista em generalidades, ou ainda
uma espécie de profeta - dono da verdade.
Enquanto estudantes,
aprendemos sobre os fenômenos, as
estruturas e as relações que caracterizam as organizações sociais e culturais.
Aprendemos analisar os movimentos e os conflitos populacionais, a construção de
identidades e a formação das opiniões. Pesquisamos costumes e hábitos e
investigamos as relações entre indivíduos, famílias, grupos e instituições,
além de muitos outros temas importantes na sociedade.
Entretanto,
como estudante de ciências sociais observo que quanto mais estudo, mais
compreendo a importância de conhecer os vários pensamentos que foram
desenvolvidos e que formaram à Filosofia,
Antropologia, Sociologia, Ciência Política e tantas disciplinas que venho
estudando ao longo da minha experiência acadêmica.
Percebo
então, o tamanho da minha responsabilidade como formadora de opinião, ainda em
formação, por isso, entendo que nessa condição não devo sair criticando à
opinião das pessoas que tem um caminho muito a frente que o meu no que se
refere ao conhecimento acadêmico, como também da própria experiência adquirida
ao longo da vida. Isso não quer dizer que não deva me expressar como desejo
sobre qualquer assunto, a questão aqui é, reconhecer as minhas limitações e até
onde posso chegar sem ainda deter um conhecimento seguro, sem que este, não esteja
contaminado pelas minhas emoções e sentimentos “desregrados”.
A
partir dessas considerações, quero convidar os meus colegas a discussão de
temas que estejam mais relacionados com o que estamos aprendendo no dia a dia.
Que as nossas opiniões sejam pautadas nas concepções políticas, sociais,
culturais e econômicas a partir da realidade do que estamos vivendo. Precisamos
aprender a refletir e analisar como estamos utilizando o aprendizado, para
entender como se processam às relações que caracterizam a identidade da nossa
universidade.
Finalmente, convido
meus colegas, para apresentarem propostas para ajudar a resolver os problemas
que enfrentamos no cotidiano. Que a nossa crítica seja no sentido de construção
e não da destruição de pessoas que nós não simpatizamos ou que temos alguma
divergência. Que o discurso de transformação da sociedade que até então parece
abstrato, seja concreto para transformar o nosso entorno e assim possa se
estender para além de nosso espaço limitado. Essa é a minha opinião como aprendiz
do “fazer” de uma cientista social do futuro.
Por: Fátima Barreto - Graduanda do Curso de Ciências Sociais da UNEB
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