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sábado, 20 de outubro de 2012

Prof. Valdelio - eleições de Salvador-2012


Caros amigos e caras amigas,
 

 Estamos na reta final da eleição para a prefeitura de Salvador. Vou votar em Nelson Pelegrino e considero que essa é a única opção política válida neste momento. Sei que muitas e muitos, decepcionados com a arrogância e o autoritarismo do governador na condução da greve dos professores, estão indecisos ou inclinados a votar nulo, em branco ou estão desmotivados para votar.
Todo mundo sabe da importância de escolher bem o prefeito que vai governar a nossa maltratada Salvador nos próximos quatro anos.
 
 
A experiência com o atual prefeito, que em oito anos praticamente destruiu a cidade deveria ser o mais importante parâmetro na hora do voto. Acho, portanto, uma temeridade que o nosso voto se transforme numa manifestação de vingança, como se isso fosse opção para resolver os graves problemas de Salvador.
A candidatura de ACM Neto será um desastre para o futuro de Salvador. Por ser ele a expressão inequívoca da direita política e também por fazer parte de uma dinastia que expressa muito bem os interesses e a mentalidade dos antigos senhores de escravos, não é sem razão que o seu partido, o DEM, quando ele era líder, se opôs às cotas, ao PROUNI e a titulação das terras dos quilombolas.
 

O mais grave para o futuro de Salvador, com a possibilidade da eleição de ACM Neto, é que o seu perfil agressivo e avesso à negociação será um obstáculo para que a sociedade civil da cidade seja mobilizada para a construção de um projeto de curto, médio e longo prazo tão necessário para a cidade. Pior ainda, o seu estilo desequilibrado será um sério obstáculo também para que ele negocie recursos junto aos governos estadual e federal para tirar a cidade do caos em que ela se encontra.
Por essas razões, faço um apelo aos meus amigos e amigas que neste momento estão indecisos ou pensam na possibilidade de votar nulo, em branco ou querem se abster de votar, que revejam as suas avaliações para o bem de nossa cidade.
 
 
Por: Dr. Valdélio Silva - Graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (1981), mestrado em Sociologia pela Universidade Federal da Bahia (1998) e doutorado no Programa em Estudos Étnicos e Africanos pela Universidade Federal da Bahia (2010). Atualmente é técnico da Companhia Desenvolvimento e Ação Regional e professor Adjunto da Universidade do Estado da Bahia.

sábado, 13 de outubro de 2012

As dificuldades que enfrenta um estudante que trabalha


Alexnaldo S. Palmeira

 
Hoje, são perceptíveis às dificuldades que enfrenta os estudantes trabalhadores no seu cotidiano tendo que encarar os desafios diários de suas responsabilidades na administração do tempo para o trabalho, faculdade, família e o tempo para si mesmo.
O estudante trabalhador vive certa instabilidade em suas relações de amizade, amorosa e familiar, o pouco tempo que dispõe, está ocupado estudando para uma pesquisa ou prova e quando leva trabalho para casa ainda é pior, porque se torna impossível fazer as duas coisas e tem que priorizar uma das obrigações e nem sempre é a que se quer, mas sim a de maior necessidade.

Tudo isso é carregado do peso da responsabilidade e a culpa por não conseguir abraçar tudo por causa de suas condições físicas, condição natural do ser humano que não consegue interagir por mais tempo porque seu corpo não suporta, deixando-o  angustiado, porém,  persevera por entender a necessidade do sacrifício na sociedade, para alcançar o seu ideal, entendendo, que sem este tipo de luta se torna mais difícil à conquista.

Um exemplo comum é o de um jovem que acorda as 05:30 h da manhã, dificilmente tem a oportunidade de ver seu pai, mãe, filho ou filha, esposo ou esposa para dar um "Bom dia" e ao chegar na faculdade, dá um "Bom dia!"aos colegas e ao professor, acaba a aula, e já tem uma prova agendada ou um trabalho para apresentar, sendo que normalmente se tem ao menos entre cinco a seis matérias e seu compromisso é com todas elas, ou seja, já são 12:40 h da manhã, entre esse intervalo sai rápido da universidade procura almoçar às pressas ao ponto de não sentir mais o gosto do que se come. Se perguntarem ao final do dia o que comeu, é capaz de nem se lembrar, porque estava preocupado em não chegar atrasado no trabalho.
 
Ao iniciar sua rotina no emprego, tem que bater o ponto às 13:20 h da tarde, para exercer a  sua ocupação e está sempre preocupado como vai fazer o trabalho e organiza-lo, por nem se dar conta por onde vai começar, está preocupado que tem que estudar para a prova ao mesmo tempo. Chegando o horário de saída está exausto, quer chegar logo em casa, comer alguma coisa e relaxar, mas não pode,  pois às vezes tem o trabalho que não deu pra terminar do sua atividade laboral que levou para casa para concluir. Mas, tem a prova para estudar, a pesquisa para apresentar de repente alguém liga, pode ser namorada, namorado, amigos ou parentes, o amante cobra atenção, amigos presença, família quer reunir para uma comemoração e simplesmente diz: " não posso " ou "meu amor, por favor entenda" e " hoje não dá". E às vezes nem dorme tentando dar conta do que for possível, lembrando que nos feriados, sábados e domingos normalmente é dedicado aos estudos por ter a melhor disponibilidade de tempo.

Esta é basicamente a rotina de um estudante trabalhador e quem vê de fora ou ouve um desabafo,  até se choca e alguns dizem: "Meu Deus como você suporta! mas é assim mesmo rapaz, Deus te ajuda".  Muitos românticos acham até bonito e outros não querem nem pensar em arriscar, preferem continuar na sua comodidade.

Enfim, pessoas que vivem desse tipo de sacrifício, são belíssimos sonhadores, esperançosos e verdadeiros enfrentadores da vida, dando assim sentido a ela, alimentando-se de seus desejos, ambições e todas as motivações que derivam de suas experiências e decepções que os torna corajosos, fazendo que busquem saídas para as mudanças idealizadas se potencializando na busca do ideal que é eterna, para que ela ser alcançada em cada passo na busca da realização. Busca essa, que permite ao homem evoluir sem limites porque o faz tentar tocar o que não consegue e como é difícil criar ferramentas que o auxilie e se não for suficiente, aperfeiçoamos, para conquistar o ideal, mais nunca desistimos. Esse sentimento abrasa o coração do estudante trabalhador, que persevera até conseguir concluir cada etapa da sua jornada, rumo a conquista de uma graduação e são todas essas dificuldades que enfrenta no seu cotidiano.
 
 
 
Alexnaaldo S. Palmeira - Graduando do Curso de Ciências Sociais da UNEB


terça-feira, 9 de outubro de 2012

As redes sociais como elo entre os indivíduos dentro de uma sociedade anômica e individualista.


Paulo Francisco de Souza



O processo de revolução industrial no século XVIII foi sem dúvida, um dos processos mais significativos que a humanidade já viu. Seu conjunto de mudanças gerou um profundo impacto político, econômico e social. Além de um grande processo de reestruturação das relações de trabalho, de poder e também nas relações entre as diferentes nações do mundo. Dentre as mais importantes mudanças, além das já citadas, temos o surgimento da chamada cultura de massa e ainda a substituição da mão de obra artesanal, ou seja, trabalho braçal humano, pelas máquinas. Essa substituição foi responsável por outro processo, o de especialização dos serviços e uma busca cada vez maior por qualificação profissional para atender as novas demandas solicitadas.

Toda essa conjuntura associada ao rápido crescimento do capitalismo, através da conquista e exploração das Américas, impulsionou um novo cenário, e desencadeou um processo que a humanidade já conhecia desde o iluminismo, do renascimento e do surgimento das teorias antropocêntricas, mas que ao mesmo tempo era relativamente novo: o processo de individualismo e afastamento dos indivíduos em relação ao social.

Com a revolução industrial e suas demandas, a sociedade nunca mais seria a mesma, os indivíduos passaram a prezar o individual em detrimento do coletivo, o que era produzido, tinha como objetivo satisfazer na maioria das vezes, as necessidades individuais e não coletivas.

Podemos analisar todo esse processo de afastamento do coletivo sobre diversas óticas, pode ter sido uma estratégia capitalista para estimular o consumo dos produtos que eram produzidos pelas fabricas; pode ter sido uma estratégia capitalista para enfraquecer o corpo coletivo; ou pode ainda ter sido apenas uma ordem natural do processo de especialização gerado pela revolução industrial. Creio que nunca saberemos ao certo o porquê do desencadeamento do processo, porém podemos teorizar sobre seus desdobramento e consequências.

Assim, afim de tentar analisar um dos milhares de desdobramentos e consequências de todo esse processo, remeto-me a Spinoza, filósofo do século XVII, que postula sobre a mente e a natureza humana, sobre Deus, sobre o corpo e sobre a inter-relação entre todos esses elementos. Em uma de suas preposições, Spinoza sugere que: “o corpo humano depende de muitos outros corpos, pelos quais ele é como que continuamente regenerado”. Excluindo todas as outras acepções de “corpo” que são trazidas implicitamente por Spinoza, e assumindo “corpo” apenas enquanto outro individuo, nessa preposição Spinoza deixa bem delimitado a natureza do homem, sendo para ele o homem, um ser que depende constantemente de seus iguais para manter-se. Essa preposição proposta por Spinoza aproxima-se do que Aristóteles já havia dito no século IV antes de Cristo: “o homem é um animal social”. Porem é preciso salvaguardar a inúmeras diferenças de contexto histórico e também entre os dois pensamentos. Quando Aristóteles propõe que o homem é um animal social, o vejo sugerindo uma vida que não pode ser dissociada da política, da justiça e do convívio com outros homens. Já Spinoza quando propõe que o corpo humano depende de muitos outros corpos para ser regenerado, penso que, ele sugere a necessidade do convívio entre os indivíduos como forma de maximizar sua potência de agir, em busca da felicidade suprema1. Entretanto, creio que ambos pensadores concebem o convívio, como uma espécie de processo que cria um elo entre os homens, sem o qual o homem não sobrevive.

Com a revolução industrial e a chamada “modernidade”, esse processo de criação natural do elo é quebrado. Dando lugar a um processo contrario, ou seja, o afastamento e o individualismo, que gera consequentemente uma sociedade anômica. O conceito de anomia é criado por Durkheim, e serve em linhas gerias, para caracterizar uma sociedade onde há uma espécie de “vazio cultural2”, deixando assim os indivíduos que compõe essa sociedade sem uma identidade cultural forte e sem um referencial comum que os una. Ou seja, não há uma ligação entre os indivíduos nem algo que os mantenham naturalmente unidos.

Com todo esse processo, os homens se viram obrigados a pensar outras formas e mecanismos de criar e manter esse elo e essa ligação. Com o passar dos séculos vários mecanismos foram criados, consciente ou inconscientemente, visando esse fim. Dentre eles posso citar as ONGs (organizações não governamentais), as associações diversas (de moradores, de trabalhadores, de estudantes etc.), as entidades religiosas e assim por diante, mas invariavelmente todas essas organizações tinham e tem um mesmo fim: o ajuntamento de indivíduos para a criação de um corpo coletivo que venha, ou não, lutar por certos ideais ou reivindicar seus direitos. Essa ideia de criar um corpo coletivo vai de encontro justamente ao processo de individualização da sociedade, já que a mesma através do processo individualização dos indivíduos busca, ainda que inconscientemente nos enfraquecer.

Trazendo essas duas perspectivas dicotômicas de processo de individualização e tentativa de criação de um elo, para que possa ser gerado um corpo coletivo, tomarei como exemplo um fenômeno da contemporaneidade: as redes sociais. Se fizermos uma analise um pouco mais profunda, as redes sociais nada mais são, que a tentativa de se criar/manter um elo entre indivíduos, sem que se deixe de lado a individualidade, ou seja, sobre o disfarce de nos manter sempre próximos das pessoas queridas, mesmo quando elas estão longe, as redes sociais surgiram como um forte fator de manutenção de uma anomia social e para alem disso recriam e reconfiguram a anomia, fazendo com que os indivíduos se identifiquem na “rede”, conversem, discutam, demonstrem carinho etc. em contrapartida essas mesmas experiências não ocorrem quando os indivíduos se encontram fora da “rede”. Então a grande questão que temos com as redes sociais é: as redes sociais geram ou não um falso sentimento de ligação/elo entre os indivíduos?

Dificilmente responderei essa questão em sua totalidade, e mesmo a tentativa de respondê-la demandaria um estudo mais prático e aprofundado. Porém, ouso teorizar que sim, as redes sociais geram um falso sentimento de ligação entre os indivíduos. Levando em consideração mais uma vez a preposição de Spinoza e considerando ainda o atual contexto da sociedade ocidental, vejo que o homem precisa de outros corpos3 para se regenerar, porém a sociedade capitalista ocidental não permite à criação de um corpo coletivo mais forte e que garanta esse sentimento de unidade, assim as redes sociais fazem o papel de um falso elo entre os indivíduos e perpetuando o processo de anomia social.

Por fim trago um ultimo questionamento: até onde essa anomia social poderá ser mantida pelo falso sentimento de unidade gerado pelas redes sociais? Creio que a resposta a essa questão sereia mais complexa ainda de teorizar, mas talvez em algum momento, a humanidade em toda sua complexidade de relações travadas entre si, consiga compreender e adotar o conceito de liberdade criado por Spinoza...

 

 

1 o conceito de felicidade suprema em Spinoza é bastante complexo, porém pode-se dizer que esse conceito está intimamente ligado ao conceito de homem livre, ou seja, aquele que não está limitado pelas amarras sociais, sem culpa, sem arrependimentos. Apenas liberdade.

2 quando digo vazio cultural, não quero dizer que não há cultura ate porque toda sociedade tem cultura. Apenas sinalizo, para processo de massificação e globalização da cultura, onde deixa de existir o sentimento de pertencimento a determinada cultura.

3 excluo aqui novamente todos as outras acepções implícitas de “corpo” trazidas por Spinoza




Paulo Francisco de Souza - Graduando do Curso de Ciências Sociais da UNEB

sábado, 6 de outubro de 2012

Completo ao Ser vazio



Você está livre, as correntes que limitavam o seu caminhar se quebraram, corroeram-se com o tempo. Os seus pés finalmente poderão chegar muito mais além de onde impuseram o limite. Apalpe o ar! Sei que é impossível, mas agora isso ficou para trás.
Você pode senti-lo e ele completa você, agora você flutua, mas antes tinha medo de voar. O medo ficou para trás, assim como tudo fica. Os carros passam pelas paisagens e, o que é fixo se move tão rápido quanto o folhear de um livro... Um Livro a ser escrito, uma estória a ser contada. De alguém que a vida levou os sonhos, mas lhe incumbiu à missão de buscá-los, para simplesmente viver. Cujo sol queimou a face, a chuva enlameou seus pés, o vento esfriou o corpo, gelou sua alma e ressecou os seus lábios.  Alguém que a névoa se impregnou no negro dos olhos, deixando-o por um tempo a implorar pela luz... Luz! Essa foi tão intensa que lhe ofuscou novamente o olhar.
Antes a penumbra de um mundo sem importância, que se importar com uma luz que não existe! Antes ver o cinza que é a verdadeira cor de toda essa ilusão, que todas as cores, dessa verdade sem fundamento! Não esperais nada, nada lhe será concebido! Não lute por nada, pois tua morte favorecerá o inimigo! Segue vazio, é o máximo em que será completo. No mais faça diferente e ao final verás que estou correto! O mundo novamente será para ti um lugar sem abrigo!
 
 
Por: Roberto Cordax - Graduando do Curso de Ciências Sociais - UNEB