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sábado, 25 de maio de 2013

Por uma redução do abismo social, não da maioridade penal

Por Luan Oliveira
 


 
 
Refletir sobre as infrações cometidas por adolescentes é antes de tudo, uma reflexão sócio-política sobre – desculpe a redundância – as questões sócio-políticas brasileiras. Nas linhas que daqui decorrerão, não pretendo omitir o fato que alguns menores possuem emancipação intelectual para discernir “certo e errado”, os burgueses, por exemplo, possuem uma educação privilegiada, restrita à sua classe, e antes de atingir a maioridade legal adquirem à capacidade de responder por si conscientemente, mas não legalmente, e jovens favelados (não pretendo aqui generalizar, a descrição é feita para dar ênfase ao abismo entre as classes) chegam à maioridade legal sem potencial para responder por si. A elitização do judiciário é um exemplo disso, o conhecimento das leis é restrito, é possível, para não dizer provável, que a maioria dos marginalizados cometa seus delitos, mesmo conhecendo artigos e leis (a numeração, como a famosa 157), sem “total” conhecimento das possíveis sanções. Entretanto, esse perfil burguês, de jovem privilegiado socialmente, detentor de condições materiais ímpares, capaz de responder por si, está, a partir do discurso ideológico reacionário está sendo fantasiado nos menores da periferia, numa tentativa de esquecer reparações sociais em nome de repressões policias.
Observemos por princípio e superficialmente as condições econômicas do Brasil. Devido à sua desigualdade, adolescentes brasileiros possuem meios diferentes para a aquisição de bens materiais. Ora, vejamos a quantidade de jovens ricos que trabalham na juventude... O número é mínimo! Não queremos aqui criticá-los, pois o tempo livre permite que os burgueses tenham mais tempo para estudar, adquirir conhecimento visando à resolução dos problemas sociais do país. Além disso, sua dificuldade em conseguir saciar seus desejos materiais consiste em decidir se liga para mãe ou pai, em alguns casos a dificuldade aumenta, e o burguês tem que decidir também entre os avós!
Passaremos à mesma análise à classe pobre, que também possui seus desejos, suas demandas. Os jovens desassistidos têm meios diferentes, bem diferentes, de saciar suas necessidades e seu “luxo”. A renda familiar geralmente não supre a demanda vaidosa de um jovem no ápice da puberdade. Você pode não conhecer, mas na favela também tem moda! A realidade de pedir a papai e mamãe não existe, é necessário, ou melhor, obrigatório, trabalhar, e se não há empregos suficientes, o crime está de braços abertos para deformar mais um adulto em gestação, por conseguinte, a educação precária já não tem valia alguma.
Vejamos agora, o sistema educacional brasileiro. É fato, que a melhor educação inicial brasileira é privada, e cara. Logo, obtém a melhor formação quem pode pagar (a classe burguesa)...  E o outro lado? E aqueles que não podem pagar?
A classe pobre, que fica à mercê da educação pública, sofre o processo de inferiorização intelectual. A precariedade da educação mantém o abismo das classes sociais brasileiras...
Sustentar a redução da maioridade penal é acreditar que a educação brasileira é igualitária, que não há desigualdade social. É sustentar que todos possuem as mesmas condições para saciar o seu desejo. É pensar que o Brasil é justo, que brancos e negros, ricos e pobres possuem as mesmas condições sócio-políticas-culturais!
Vale ressaltar que se você apoia a redução da maioridade penal, você acredita que existe uma razão biológica para que menores pobres (majoritariamente negros) cometam a maioria dos delitos, ou ainda, que uma incrível coincidência rege o mundo, fazendo com que os mesmos cometam a maioria dos crimes da juventude brasileira.
Logo, se não acredita nessa falácia, é contra a redução da maioridade penal, e sabe que a criminalidade na juventude é um problema da estrutura social brasileira e não somente dos indivíduos. Problemas sociais são resolvidos na sociedade! Antecipar a idade penal é demonstrar que é incapaz de evitar o possível delito. É o certificado de incompetência do Estado.
 
 
Luan de Jesus Oliveira, graduando em Ciências Sociais pela Universidade do Estado da Bahia.

 

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