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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Quem, dentre os três “candidatos variegados” administrará Salvador?


A cidade de Salvador, pela sua história, já deveria ter se tornado uma das melhores metrópoles do Brasil ou até mesmo da América Latina. Contudo, a primeira capital do Brasil Colonial, foi escolhida por ter uma posição estratégica para a economia açucareira e isso era um bom negócio para a coroa portuguesa, no século XVI.

Passados os séculos desde essa ocasião, chegamos à primeira eleição republicana que elegeu o primeiro intendente em 1892 e depois foram realizadas sucessões até o ano de 1928, quando foi nomeado o primeiro prefeito, logo após o Golpe de Novembro de 1937.

 Em 1975, no período da ditadura militar, foi eleito o primeiro prefeito de Salvador, pelo voto indireto, ou seja, os vereadores elegiam os prefeitos na Câmara Municipal, representando o povo e  sabemos que o povo nada decidia naquela ocasião e os vereadores eram eleitos pelo chamado “voto de cabresto” -  os temidos coronéis usavam seu poder para obrigar os seus subordinados a votarem em seus escolhidos. Cabe lembrar que esse tipo de eleição ocorreu até o ano de 1985.

A partir de 1986 o processo eleitoral passa a ser através do voto direto, cabendo ao povo escolher seus representantes, indo diretamente colocar seu voto na urna. Ficamos tão acostumados a escolherem por nós, que talvez por isso ainda não aprendemos escolher os nossos representantes.

Escolher alguém que nos represente é uma decisão muito séria, pois, cada um de nós deve buscar fazer reflexões e análises profundas para ter os  conhecimentos necessários, da história pregressa da vida de cada candidato e isso na maioria das vezes dar-se por caminhos obscuros. Antes das eleições esses candidatos se afirmam como pessoas simples, próximas do povo, preocupadas com o bem-estar da cidade e como verdadeiros super-heróis, transvestidos da mais pura aura moral e ética.

A máscara social e política usada pelos candidatos nas eleições, tem sempre o mesmo modelo, só mudam as cores. Nesse aspecto podemos apreciar a magnitude dos discursos para se elegerem e nesse caso, vale tudo. Fazer o trabalho de investigação para minar as bases do outro candidato é tarefa diária e isso vai mostrar o seu poder maquiavélico no famoso discurso e na prática de que “para os meus amigos tudo e para os inimigos a Lei.” Essa prática comum na política, usada comumente para levar vantagem o que vai demonstrar  o caráter líquido dos que se propõem a assumir  um cargo de tão grande importância como é o da prefeitura de uma cidade como Salvador.

Depois dessas reflexões quero me reportar aos candidatos a Prefeitura de Salvador em 2012, que na minha avaliação, vestem-se de fantasias multicoloridas para esconder quem realmente são.

Quero começar com o DEM e seu candidato ACM Neto, que de novo nada apresenta como um candidato do “carlismo na Bahia, que todos devem lembrar como foi o seu avó ACM, que iniciou na política em 1967 como candidato indicado pela ditadura militar, perdurando o seus mandatos até 2007, quando a morte o tirou a força da cena política. O seu netinho, como manda a tradição nos regimes das oligarquias, pretende perpetuar o seu nome e o poder em nossa cidade.

Em se tratando do candidato do PMDB, Mário Kertész, só para relembrar a história, ele foi eleito como “prefeito biônico” pelo voto indireto para o mandato de 1979 a 1981, era o candidato indicado por ACM e foi eleito pelo voto direto de  1986 a 1989. Naquele momento das mudanças em que, ser simpatizante da esquerda ou fazer coalizão com os partidos esquerdistas, recém-saídos e legalizados, depois da ditadura militar era “politicamente correto”  e mesmo assim, com todos os compromissos assumidos nos discursos, nada fez de expressivo pela nossa cidade.  No seu programa de rádio todas as manhãs,  faz críticas aos governos atuais, afirmava que não seria mais candidato a nenhum cargo e se apresenta nessas eleições, como uma solução moderna e eficiente para resolver os problemas de Salvador.

O terceiro candidato que é do PT, Nelson Pellegrino, já se candidatou e perdeu a eleição para o prefeito atual João Henrique.  O candidato se apresenta como unificador das forças políticas, que vem sendo o sustentáculo do Governo de Wagner e da presidenta Dilma, deveria mudar para um discurso no sentido de reconhecer os tropeços da gestão do governador e apresentar propostas que estejam mais condizentes e relacionadas com as mudanças necessárias, especialmente nesse momento em que a população carrega um sentimento de descrença na forma como são conduzidas as questões políticas em nosso país, em nosso estado e em nossa cidade.

Finalizando, quero dizer que essas eleições estão me deixam um tanto nostálgica, talvez esteja querendo algo novo que desperte em mim, o sentimento de mudança, aquela emoção de ser parte de um processo político de transformação. Mas, esse sentimento também me leva a pensar em Platão, na sua República utópica: “Quem, em especial, se preocuparia com os estudos que devem preparar um político para a administração de uma Cidade, na medida em que lhe basta proclamar-se amigo do povo para se vê coberto de honras? E o homem democrático não é menos encantador nem menos variegado (multicolorido). É uma presa fácil dos desejos supérfluos e coloca todos os prazeres em pé de igualdade e alternadamente entrega-lhes com displicência a direção da sua alma.”

Bem, o que Platão escreveu sobre a política é tão atual que parece está mandando um recado para os eleitores da nossa cidade. E então cabe um questionamento para as nossas reflexões: Quem, dentre os três “candidatos variegados” administrará Salvador?
 
Por: Fátima Barreto - Graduanda do Curso de Ciências Sociais da UNEB

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