O filme “A
Arvore da Vida” é do cineasta Terrence Malick,
ė um filme profundo, tem uma fotografia belíssima. Inicia mostrando a teoria do
Big Bang sobre a origem do nascimento do universo, com a terra parindo a
natureza e formando as primeiras células, numa perfeita harmonia de movimentos
perfeitos e sincrônicos com a energia provedora da vida. É um momento mágico da
origem da vida a partir do nascimento no mar, com os primeiros seres vivos se
formando por um turbilhão de células vivas, que gera as plantas que crescem
enormes e os dinossauros em formação, se arrastam na beira da praia, se dirigindo
para a terra.
Para mostrar o
nascimento de um ser humano o cineasta busca o aspecto religioso e legalista da
formação de uma família, com o relacionamento de um casal – namoro, noivado,
casamento e a partir dessa ideia, vem o nascimento de uma criança, com toda a
sua toda sua trajetória de aprendizado com os pais presentes, seu crescimento físico,
mental e emocional e suas relações sociais com a família num mundo limitado do lar
e com o mundo que aparentemente não tem muitas referências, considerando que os
três irmãos não tem amigos, tudo se movimenta ao redor dessa família que vai a
igreja.
A narrativa das
lembranças é feita pelo filho já adulto, um homem aparentemente desconectado
com a realidade que o cerca, então, a fala é da criança que se lembra dos fatos
marcantes sua infância, até chegar essa fase adulta. O arquétipo materno é de
uma mãe doce, acolhedora, serena, quase mágica, que se confunde com a delicadeza
de uma fada, uma mãe tão poderosa que a sua imagem fica profundamente viva
dentro desse filho, que vive uma realidade distanciada de si mesmo.
Toda a delicadeza da
relação materna vai mostrar também a contradição dessa família “quase perfeita”
que é o obstáculo paterno. O pai ė um homem disciplinado, forte, que imprime um código de autoridade sólido com
valores religiosos e uma rígida disciplina. Apesar disso ė um homem sensível, com
um refinado gosto por músicas clássicas, toca piano e tenta ensinar os três
filhos a tocar um instrumento musical. Apesar de sua rigidez o pai era afetuoso
com os filhos e a esposa, porém, o garoto guarda uma mistura de amor, ódio
admiração pelo pai, mas, rebela-se contra essa autoridade e isso fica evidente
na pergunta do garoto: Por que ele nos machuca, o nosso pai?
O filme traz reflexões
profundas sobre as relações dentro de uma família tradicional com pai - com
emprego estável, mãe – dona de casa e irmãos relativamente normais e de quanto essa relação “saudável” de
convivência doméstica, é importante para
a constituição e formação da personalidade de uma pessoa na vida.
O aspecto religioso está
presente em vários momentos e aponta para as reflexões sobre a autoridade
paterna como um castigo, como forma de forjar o caráter para tornar-se bom ou
mau na vida. A perda de um irmão vai evocar o sentido da ligação com elo
materno e a solidão pela morte de um ente familiar, como se um galho da árvore
fosse cortado dessa relação familiar. Mais uma vez, denota-se o sentido religioso
do filme, demonstrando a aceitação resignada da família diante da perda e sem
respostas.
O final do filme vai
mostrar mais um aspecto religioso, que é o grande retorno e reencontro com o
mar, onde aparecem outras famílias no mesmo processo, como também a sua, os
seus pais velhos que rejuvenescem e ele o filho adulto, carregando seu próprio filho,
como se fosse o começo de uma nova vida com o sol nascendo no mar, o que nos
remete a crença da vida eterna.
Por: Fátima Barreto - Graduanda de Ciências Sociais - UNEB

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