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sábado, 1 de junho de 2013

Comentários do Filme "A àrvore da vida"




O filmeA Arvore da Vida” é do cineasta Terrence Malick, ė um filme profundo, tem uma fotografia belíssima. Inicia mostrando a teoria do Big Bang sobre a origem do nascimento do universo, com a terra parindo a natureza e formando as primeiras células, numa perfeita harmonia de movimentos perfeitos e sincrônicos com a energia provedora da vida. É um momento mágico da origem da vida a partir do nascimento no mar, com os primeiros seres vivos se formando por um turbilhão de células vivas, que gera as plantas que crescem enormes e os dinossauros em formação, se arrastam na beira da praia, se dirigindo para a terra.

Para mostrar o nascimento de um ser humano o cineasta busca o aspecto religioso e legalista da formação de uma família, com o relacionamento de um casal – namoro, noivado, casamento e a partir dessa ideia, vem o nascimento de uma criança, com toda a sua toda sua trajetória de aprendizado com os pais presentes, seu crescimento físico, mental e emocional e suas relações sociais com a família num mundo limitado do lar e com o mundo que aparentemente não tem muitas referências, considerando que os três irmãos não tem amigos, tudo se movimenta ao redor dessa família que vai a igreja.

A narrativa das lembranças é feita pelo filho já adulto, um homem aparentemente desconectado com a realidade que o cerca, então, a fala é da criança que se lembra dos fatos marcantes sua infância, até chegar essa fase adulta. O arquétipo materno é de uma mãe doce, acolhedora, serena, quase mágica, que se confunde com a delicadeza de uma fada, uma mãe tão poderosa que a sua imagem fica profundamente viva dentro desse filho, que vive uma realidade distanciada de si mesmo.

Toda a delicadeza da relação materna vai mostrar também a contradição dessa família “quase perfeita” que é o obstáculo paterno. O pai ė um homem disciplinado, forte, que  imprime um código de autoridade sólido com valores religiosos e uma rígida disciplina. Apesar disso ė um homem sensível, com um refinado gosto por músicas clássicas, toca piano e tenta ensinar os três filhos a tocar um instrumento musical. Apesar de sua rigidez o pai era afetuoso com os filhos e a esposa, porém, o garoto guarda uma mistura de amor, ódio admiração pelo pai, mas, rebela-se contra essa autoridade e isso fica evidente na pergunta do garoto: Por que ele nos machuca, o nosso pai?

O filme traz reflexões profundas sobre as relações dentro de uma família tradicional com pai - com emprego estável, mãe – dona de casa e irmãos relativamente normais e  de quanto essa relação “saudável” de convivência doméstica, é  importante para a constituição e formação da personalidade de uma pessoa na vida.

O aspecto religioso está presente em vários momentos e aponta para as reflexões sobre a autoridade paterna como um castigo, como forma de forjar o caráter para tornar-se bom ou mau na vida. A perda de um irmão vai evocar o sentido da ligação com elo materno e a solidão pela morte de um ente familiar, como se um galho da árvore fosse cortado dessa relação familiar. Mais uma vez, denota-se o sentido religioso do filme, demonstrando a aceitação resignada da família diante da perda e sem respostas.

O final do filme vai mostrar mais um aspecto religioso, que é o grande retorno e reencontro com o mar, onde aparecem outras famílias no mesmo processo, como também a sua, os seus pais velhos que rejuvenescem e ele o filho adulto, carregando seu próprio filho, como se fosse o começo de uma nova vida com o sol nascendo no mar, o que nos remete a crença da vida eterna.
 
 
Por: Fátima Barreto - Graduanda de Ciências Sociais - UNEB


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