Patrício Freitas
Uma analise histórica, política, sociológica e pessoal sobre as atuais manifestações que tomam conta de todo o Brasil, em 2013:
Todo o processo de construção do Brasil sempre foi marcado por desigualdade e descasos dos governantes para a população. A educação no país sempre foi segregada, mesmo depois do processo republicano, onde se mantiveram os mesmos modelos do império. Os negros e ingênuos não foram privilegiados com oportunidades de inclusão, o que transformou o poder do governo e das elites em uma arma para manutenção das classes sociais.
Hoje, no sec. XXI as coisas não são diferentes, o Brasil passou por momentos históricos de lutas contra repreensão, mas o poder do estado continua se configurando de maneira rígida. Deixando claro que vivemos em moldes de estado burguês, onde fundamentamos o capitalismo como sistema econômico vigente, perpassando tais barreiras e atuando diretamente nos problemas sociais.
Dentro de um processo de maturação política é possível vislumbrar os problemas enfrentados em todo país. O governo se mostra incapacitado de garantir saúde, educação e de oferecer os recursos de assistências de maneira funcional.
Enquanto a população trabalhadora, pobre, preta e favelada está sofrendo com a incompetência desse sistema, as empresas privadas continuam explorando os serviços públicos – privatizações – e criando monopólios dentro do comercio de maneira geral.
O trabalhador Brasileiro desperdiça sua força de trabalho e é mal recompensado, pois os meios de produções se encontram nas mãos de uma minoria, que continuam explorando toda “mais-valia” possível. Além disso, sua jornada de trabalho vai além das horas previstas na carteira, é preciso enfrentar um trânsito que testa cada dia sua paciência, que não podemos resumir como o maior dos problemas.
Uma bola de neve parece está sendo acumulada. A população mesmo com dificuldade critica e alienada pelas mídias e indústrias culturais, vem se demonstrando cada vez mais insatisfeita com tamanha submissão.
O Brasil vive em um momento crucial, muitos fatores vêm culminando para explodir a insatisfação da sociedade civil, independente de classe, cor, sexualidade ou gênero.
O primeiro passo foi a descontentamento de estudantes em São Paulo, causado pelo aumento da tarifa do transporte publico, que vem superfaturando e enchendo os bolsos das empresas privadas. Os manifestantes foram recebidos com violência policial, o que acabou mobilizando gradualmente diversas cidades em todo país.
Essa manifestação impulsionou outras reivindicações, como não a PEC 37/2011, que se aprovada o poder de investigação criminal seria exclusivo das policias federal e civil, negando a atuação de outros órgãos, como o Ministério público; além da intolerância aos casos de corrupção; da continuidade de figuras em cargos públicos, como Renan Calheiros, Genoíno, Sarney entre outros, além de Feliciano, que vem causando polêmicas na comissão de direitos humanos e minorias; O povo se une para denunciar descasos e pedir soluções em diversas áreas.
Essas mobilizações civis estão tomando grandes proporções, graças à visibilidade mundial trazida pela copa das confederações e futura copa do mundo (Os grandes gastos para sediar a copa também estiveram entre as reivindicações).
Outra grande polêmica foi levantada, a negação de muitos manifestantes a respeito dos partidos políticos, o que prova a ignorância política em torno da nossa sociedade. Os partidos políticos são figuras representativas entre a sociedade civil e sociedade política, remetendo a ideais nos quais são conduzidos.
Negar um partido é ir contra as correntes democráticas reais. "O homem é um animal político", como já dizia Aristóteles. Os apolíticos e apartidários sustentam um discurso sem fundamentação nenhuma.
Croce, Mosca, Michels, Pareto... Preocupavam-se muito em escrever páginas bonitas, mas não levaram em conta o problema das classes sociais, sendo assim, inalterado a camada popular. Enquanto houver classes hierárquicas, haverá repreensão! Gramsci já refutava as idéias “reformistas” e os defensores de "revoluções passivas", o povo já está cansado de ser passivo; o povo está cansado de assistir!
Os partidos políticos são necessários, mesmo a democracia se fazendo impossível em tamanha proporção, o que já era afirmado pelo próprio Rousseau. Impedir o outro de levantar sua bandeira – principalmente as vermelhas – é violentar o direito pela liberdade de expressão e sustenta um discurso de direita conservadora.
Mas reafirmo aqui, o movimento deve ser suprapartidário e conduzido pela sociedade civil como um todo, pois as ruas estão sendo lotadas de todos os tipos de pessoas, com as mais diversas intenções. Mas nenhuma pode se sobrepor à principal: Um Brasil melhor!
Esse fenômeno toma as ruas brasileiras, é a sociedade civil forçando o poder de um estado totalitário e centralizador. O povo brasileiro está incomodado e vem sentindo a necessidade de gritar, cobrar, sair pelas ruas reivindicando por justiça; por uma nova justiça.
Enquanto isso, o estado vem reprimindo com violência! Os policiais usam e abusam do poder de armamento para impedir as manifestações. Armas leves são disparadas no confronto com a população – há casos de armas de fogo – que segue firme, mas que não possui o mesmo preparo.
Há denúncias de diversos abusos, muitas pessoas foram presas e interrogadas sem causas concretas – não riam – mas até porte de vinagre é motivo de prisão. Policiais tentando invadir estabelecimentos privados, quebrando viaturas propositalmente, dentre muitos escândalos que foram levados à tona.
As lagrimas de raiva e desesperos se confundiam com as provocadas pelo gás lacrimogêneo, a multidão desesperada, enfurecida... As consequências já eram esperadas nos imos de todos os presentes.
O caos se instaurou, arruaça, quebra-quebra, vandalismo, como preferir chamar. A população oprimida não viu outra maneira de chamar atenção, já não havia como controlar; as feras estavam soltas!
Não se esqueçam que nem todos ali são estudantes, conscientizados e nascidos em berço de ouro. Estavam também os marginalizados e excluídos socialmente, são os filhos bastardos do Brasil, que são violentados todos os dias, a cada negação de espaço e privilégios. O Sol não nasce para todos!
Agora eles estavam no poder, podendo chamar atenção e combater seus opressores de forma mais justa – sem balas de verdade – esse era seu momento, sua indignação por negarem um protesto pacífico. Os reflexos dos oprimidos, dos sujos e maltratados, esfomeados por justiça.
Esse é o povo que sofre pela “territorização”, que não pode desfrutar dos benefícios da burguesia, que afirmam em seus atos uma maneira de não serem esquecidos. A cada momento de poder, eles saem das capas de invisibilidade que a sociedade os cobre.
Não são vândalos por simples vontade de destruir, esse é o resultado de um sistema excludente em que nos encontramos, e que é sustentado por esse estado totalitário burguês, que sufoca seu povo debaixo de mentiras e omissões.
Todo o processo de construção do Brasil sempre foi marcado por desigualdade e descasos dos governantes para a população. A educação no país sempre foi segregada, mesmo depois do processo republicano, onde se mantiveram os mesmos modelos do império. Os negros e ingênuos não foram privilegiados com oportunidades de inclusão, o que transformou o poder do governo e das elites em uma arma para manutenção das classes sociais.
Hoje, no sec. XXI as coisas não são diferentes, o Brasil passou por momentos históricos de lutas contra repreensão, mas o poder do estado continua se configurando de maneira rígida. Deixando claro que vivemos em moldes de estado burguês, onde fundamentamos o capitalismo como sistema econômico vigente, perpassando tais barreiras e atuando diretamente nos problemas sociais.
Dentro de um processo de maturação política é possível vislumbrar os problemas enfrentados em todo país. O governo se mostra incapacitado de garantir saúde, educação e de oferecer os recursos de assistências de maneira funcional.
Enquanto a população trabalhadora, pobre, preta e favelada está sofrendo com a incompetência desse sistema, as empresas privadas continuam explorando os serviços públicos – privatizações – e criando monopólios dentro do comercio de maneira geral.
O trabalhador Brasileiro desperdiça sua força de trabalho e é mal recompensado, pois os meios de produções se encontram nas mãos de uma minoria, que continuam explorando toda “mais-valia” possível. Além disso, sua jornada de trabalho vai além das horas previstas na carteira, é preciso enfrentar um trânsito que testa cada dia sua paciência, que não podemos resumir como o maior dos problemas.
Uma bola de neve parece está sendo acumulada. A população mesmo com dificuldade critica e alienada pelas mídias e indústrias culturais, vem se demonstrando cada vez mais insatisfeita com tamanha submissão.
O Brasil vive em um momento crucial, muitos fatores vêm culminando para explodir a insatisfação da sociedade civil, independente de classe, cor, sexualidade ou gênero.
O primeiro passo foi a descontentamento de estudantes em São Paulo, causado pelo aumento da tarifa do transporte publico, que vem superfaturando e enchendo os bolsos das empresas privadas. Os manifestantes foram recebidos com violência policial, o que acabou mobilizando gradualmente diversas cidades em todo país.
Essa manifestação impulsionou outras reivindicações, como não a PEC 37/2011, que se aprovada o poder de investigação criminal seria exclusivo das policias federal e civil, negando a atuação de outros órgãos, como o Ministério público; além da intolerância aos casos de corrupção; da continuidade de figuras em cargos públicos, como Renan Calheiros, Genoíno, Sarney entre outros, além de Feliciano, que vem causando polêmicas na comissão de direitos humanos e minorias; O povo se une para denunciar descasos e pedir soluções em diversas áreas.
Essas mobilizações civis estão tomando grandes proporções, graças à visibilidade mundial trazida pela copa das confederações e futura copa do mundo (Os grandes gastos para sediar a copa também estiveram entre as reivindicações).
Outra grande polêmica foi levantada, a negação de muitos manifestantes a respeito dos partidos políticos, o que prova a ignorância política em torno da nossa sociedade. Os partidos políticos são figuras representativas entre a sociedade civil e sociedade política, remetendo a ideais nos quais são conduzidos.
Negar um partido é ir contra as correntes democráticas reais. "O homem é um animal político", como já dizia Aristóteles. Os apolíticos e apartidários sustentam um discurso sem fundamentação nenhuma.
Croce, Mosca, Michels, Pareto... Preocupavam-se muito em escrever páginas bonitas, mas não levaram em conta o problema das classes sociais, sendo assim, inalterado a camada popular. Enquanto houver classes hierárquicas, haverá repreensão! Gramsci já refutava as idéias “reformistas” e os defensores de "revoluções passivas", o povo já está cansado de ser passivo; o povo está cansado de assistir!
Os partidos políticos são necessários, mesmo a democracia se fazendo impossível em tamanha proporção, o que já era afirmado pelo próprio Rousseau. Impedir o outro de levantar sua bandeira – principalmente as vermelhas – é violentar o direito pela liberdade de expressão e sustenta um discurso de direita conservadora.
Mas reafirmo aqui, o movimento deve ser suprapartidário e conduzido pela sociedade civil como um todo, pois as ruas estão sendo lotadas de todos os tipos de pessoas, com as mais diversas intenções. Mas nenhuma pode se sobrepor à principal: Um Brasil melhor!
Esse fenômeno toma as ruas brasileiras, é a sociedade civil forçando o poder de um estado totalitário e centralizador. O povo brasileiro está incomodado e vem sentindo a necessidade de gritar, cobrar, sair pelas ruas reivindicando por justiça; por uma nova justiça.
Enquanto isso, o estado vem reprimindo com violência! Os policiais usam e abusam do poder de armamento para impedir as manifestações. Armas leves são disparadas no confronto com a população – há casos de armas de fogo – que segue firme, mas que não possui o mesmo preparo.
Há denúncias de diversos abusos, muitas pessoas foram presas e interrogadas sem causas concretas – não riam – mas até porte de vinagre é motivo de prisão. Policiais tentando invadir estabelecimentos privados, quebrando viaturas propositalmente, dentre muitos escândalos que foram levados à tona.
As lagrimas de raiva e desesperos se confundiam com as provocadas pelo gás lacrimogêneo, a multidão desesperada, enfurecida... As consequências já eram esperadas nos imos de todos os presentes.
O caos se instaurou, arruaça, quebra-quebra, vandalismo, como preferir chamar. A população oprimida não viu outra maneira de chamar atenção, já não havia como controlar; as feras estavam soltas!
Não se esqueçam que nem todos ali são estudantes, conscientizados e nascidos em berço de ouro. Estavam também os marginalizados e excluídos socialmente, são os filhos bastardos do Brasil, que são violentados todos os dias, a cada negação de espaço e privilégios. O Sol não nasce para todos!
Agora eles estavam no poder, podendo chamar atenção e combater seus opressores de forma mais justa – sem balas de verdade – esse era seu momento, sua indignação por negarem um protesto pacífico. Os reflexos dos oprimidos, dos sujos e maltratados, esfomeados por justiça.
Esse é o povo que sofre pela “territorização”, que não pode desfrutar dos benefícios da burguesia, que afirmam em seus atos uma maneira de não serem esquecidos. A cada momento de poder, eles saem das capas de invisibilidade que a sociedade os cobre.
Não são vândalos por simples vontade de destruir, esse é o resultado de um sistema excludente em que nos encontramos, e que é sustentado por esse estado totalitário burguês, que sufoca seu povo debaixo de mentiras e omissões.
FREITAS, Patrício. Graduando em Ciências Sociais pela Universidade do Estado da Bahia. 21 de Junho de 2013.
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